Mais um filme de porradaria, só que agora com robôs. Imagina um Rocky Balboa de três metros, quebrando tudo que vê frente, numa tela gigantesca com pedaços de ferros voando na sua cara em 3D. Legal, não? Mais ou menos. Recheado de clichês e com um protagonista nem um pouco simpático e carismático, Gigantes de Aço é um filme divertido, mas não passa disso.
O grande defeito do filme é o seu protagonista, Charlie (Hugh Jackman). Esperava-se um malandro de bom coração, algo meio parecido com um Seu Madruga, de Chaves., Mas Jackman parece não ter conseguido dar ao personagem o carisma que ele deveria para o filme ser crível e você torcer por ele. Isso também talvez seja um pouco culpa do roteiro. Afinal, como torcer para um pai que vendo o filho na maior careta de pau? Pior, um pai que larga o moleque no meio de um galpão abandonado, que eles entraram arrombando a porta, de madrugada, no meio da chuva, do lado de penhasco onde o supra citado moleque tinha acabado de quase cair e morrer?
Tudo isso torna o menino Max (Dakota Goyo) o grande protagonista. Carregando o DNA do pai, apaixonado pelas lutas e tão teimoso quanto, ele tem as melhores dalas e cenas de toda a película. O carinho que o menino demonstra pelo robô é de cortar o coração, de verdade. Aliás, Atom me lembrou muito WALL-E, com o mesmo olhar triste e perdido, que emocionava até o mais seco da plateia.
A tecnologia é a melhor parte do filme, disparado. Os robôs parecem tão reais que chega a ser assustador. Mesmo sem ter visto em 3D, já dá para ficar com água na boca. Aliás, todo o filme é muito real. Não é um daqueles futuros de carros voadores e máquinas malucas. É um futuro bem próximo de uma realidade e, por isso, fica tão fácil se identificar com ele.
Depois que Charlie começa a se tornar um pai presente, o filme anda. Jackman usa todo o seu charme e sensualidade para conquista o filho, Evangeline Lilly (a Kate, de Lost) e o público. O final tem todos os clichês possíveis, mas emociona, encanta e acaba se revelando um programão. Meio tarde, mas a salvação chega a tempo de salvar o filme. Isso, bem clichê.